O Punctum de Roland Barthes na fotografia

a origem

Para explicar o que são estas letrinhas marcadas em minha pele (Punctum de Roland Barthes), acho importante aventurar-me a escrever sobre fotografia.

A imagem é uma forma de linguagem que traz consigo milhares de significados e interpretações, mas, decerto, há um elemento comum, que precede a comunicação e que nos lembra, a todo instante: é preciso enxergar.

O brilhante disso é que ao olhar, ultrapassamos a dimensão e a potencialidade linguística da imagem e encontramos também os sentimentos e sua dimensão corpórea.

A Câmera Clara

Roland Barthes em seu livro A Câmera Clara, ao discorrer sobre o interesse das pessoas pela fotografia, elaborou dois conceitos denominados studium e punctum.

O studium estaria na dimensão do intelecto, vinculado àquilo que se pode ver dentro de um enquadramento fotográfico e vem comunicar naturalmente o que está posto diante dos olhos.

Vou discorrer brevemente sobre o punctum, que pode ser percebido como a dimensão do corpo (não por acaso tatuado em minha pele).

Punctum, do verbo pungere em latim, significa “fincar”; “espetar”. Atribuindo sentindo à palavra, seria “aquilo que fere” ou “aquilo que alfineta”, que sensibiliza.

Roland Barthes se apropriou muito bem dessa palavra e atribuiu a ela o sentido de “significância”, “essência” da fotografia.

Para mim, a leitura envolvente com a escrita do Barthes fez transbordar e reconhecer o sentimento que vivencio ao me deparar com uma cena a ser fotografada ou com uma foto em que “me punge algo inexplicável”.

Esse algo que incomoda, fere, ou pelo menos se distingue de todos os outros elementos visíveis presentes.

punctum

O punctum toca a alma de quem enxerga a imagem e Barthes reaviva uma mensagem em nosso interior, abrindo um campo de visão não passível de descrição.

Isso porque a cada um de nós pungem sentimentos diferentes e qualquer tentativa de representação ou tradução seria eliminar a pessoalidade no ato de enxergar e também de se envolver com uma fotografia.

O punctum ultrapassa os limites da linguagem visual, atravessa a cena retratada e se configura na subjetividade do olhar que está por trás de cada foto. Eu fotografo pelo punctum.

Punctum de Roland Barthes tatuado em minha pele
Punctum de Roland Barthes tatuado em minha pele

 

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